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Pólo Cultural e Esportivo Grande Otelo - Sambódromo do Anhembi

Com projeto de Oscar Niemeyer, o Sambódromo do Anhembi pode ser considerado um marco no desenvolvimento do carnaval paulistano.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

“Ayọ – A Alma Ancestral do Samba”

Para o ano de 2016 a "morada do Samba" levará para a avenida um enredo que trata sobre a "Alma ancestral do Samba".

Sinopse do Enredo

Setor 1 – Xangô Liberta... O Corpo Balança, a Alma Revela... Axé, Ayọ!
 “Podemos sorrir
Nada mais nos impede
Não dá pra fugir
Dessa coisa de pele
Sentida por nós...”
 (Jorge Aragão, “Coisa de Pele”)

Foi há muito tempo, tanto e quanto já perdido na imensidão dos primórdios da existência, ainda na África Ancestral, que um dos maiores reis que viveram na Terra – Xangô – deparou-se com um pequeno tambor. O rei ficou intrigado com o formato daquele objeto. Sua intuição lhe assegurou que aquele tambor, fechado em cima e em baixo, escondia algo. Exu lhe avisou: há um irmão nosso preso aí dentro, e somente o seu oxé, com o poder do trovão e a força da justiça, poderá soltá-lo.
Foi em um grande festejo em sua homenagem que Xangô golpeou o tambor com seu poderoso oxé. Sob o coro de seus súditos que faziam uma linda dança tribal, o rei golpeou o tambor, que partiu-se e revelou seu segredo: dentro dele, estava aprisionado Ayọ, criatura divina da linhagem dos mais puros orixás, com a importante missão de movimentar-se através do ar para propagar a alegria através da arte do som... Do som nascia a música... Canto e ritmo unidos no dom de inebriar a alma e balançar o corpo!
Uma vez liberto, Ayọ consagrou os tambores de diversos povos de Mãe África, que tornaram-se porta-vozes de seu axé e passaram a ter o som poderoso como o trovão. Uma vez tocados, enfeitiçaram homens e deuses que, tomados pela sua alegria, se entregam às mais sublimes expressões da felicidade: cantar e dançar.
O destino de Ayọ será zelado por mais quatro divindades encantadas: Oyá, que o levará para outro continente; Oxumaré, que espalhará seu axé pela imensidão do território; Omolú, que o transformará em símbolo de uma nação e Ogum, que o eternizará.
Da justiça de Xangô, a sua liberdade... Kaô Kabecilé!
Com sua força o corpo balança, a pele arrepia, a alma revela... Axé, Ayọ!

Setor 2 – Oyá Traz... Heranças Negras: O Semba Encontra o Novo Mundo!
“Isso é pra te levar no ilê 
Pra te lembrar do badauê 
Pra te lembrar de lá 
Quem tem santo é quem entende”
(Carlinhos Brown, “Muito Obrigado, Axé”)
Quis o destino que Ayọ, a alma do som dos tambores, se espalhasse pelo mundo, conquistando novos horizontes e conhecendo outros matizes. Quem recebeu a missão de cruzar a imensidão dos céus e conduzir sua magia até as terras virgens dos trópicos foram os tempestuosos ventos de Oyá Iansã.
Desbravando mágicas e alvas nuvens, uma revoada de pássaros cruzou o grande mar, aportando assim no Mundo Novo. Trouxe consigo a energia de Ayọ, que aqui chegou sob as bênçãos de Oyá.
Tanta energia, intensa e vibrante, esteve presente nas heranças negras das mais diversas etnias que aqui chegaram e fincaram raízes – Haussás, gêges, iorubás, nagôs, do Daomé, de Angola, de Kabinda, de Benguela, do Congo... É a negritude!
Ayọ fez propagar no portal encantado do Mundo Novo, a Sagrada Bahia, os cantos da terra, os cantos da guerra, os sons da reza e do prazer. Presente em noites de festa, em dias de guerra, em todos os tempos, ordena: que rufem os tambores, que entoem brados de amor, que ecoem eternamente as vozes da alegria...
É Ayọ, a alma ancestral dos tambores, quem diz...
Foi Oyá Iansã, a senhora dos ventos e das tempestades, quem trouxe... Eparrei, Oyá

Setor 3 – Oxumaré Espalha...Da Lendária Bahia à Praça XI: A Luz de Ciata, a Tia do Brasil!
“Esta dança é buliçosa 
Tão dengosa que todos querem dançar 
Não há ricas baronesas nem marquesas 
Que não saibam requebrar, requebrar...”
(Chiquinha Gonzaga, “Corta Jaca”)
Oxumaré, leve e incontrolável como um arco-iris, astuto e respeitável como uma serpente, espalhou o axé de Ayọ por todo o Brasil: na forma de cantos que acalentavam o sofrimento do trabalho pesado nesse novo continente.
No interior, os mineradores passavam o dia cantando seus vissungos, rezando para achar as pedras preciosas e sonhando com a liberdade, sempre acompanhados pela magia hipnotizante dos tambores e pelos cantos em louvor aos seus deuses que habitam os dois mundos: África e Brasil!
Nas cidades, a redenção da liberdade viu os tambores embalarem o canto dos pretos novos livres nas Minas Gerais, em São Paulo, em Pernambuco, no Maranhão, e no Recôncavo Baiano, mas foi no Cais do Valongo, dos marinheiros e estivadores na Pedra do Sal, e suas rodas de batuque e de jongo na cidade do Rio de Janeiro, que Ayọ foi lindamente acolhido nos terreiros urbanos.
As vozes libertas entoaram a reza e as festas lá na Praça Onze, onde se dançava o “semba”, berço da mais pura linhagem negra no coração da capital desse país menino.
É um canto livre que paira no ar, é a força da cor no clarão do luar!
É a energia de Ayọ reluzindo o brilho de Ciata, a tia do Brasil... Arroboboi, Oxumaré!

Setor 4 – Omolú Transforma... “Pelo Telefone” o Brasil Revela: Eu Sou o Samba!
“Eu sou o samba 
A voz do morro 

Sou eu mesmo sim senhor 
Quero mostrar ao mundo 

Que tenho valor”
(Zé Kéti, “A Voz do Morro”)
Omolú, senhor da Terra e suas entranhas, com seu poder infinito de transformação, garantiu que todos os tambores do Brasil, com sua força de comunicação, se reconhecessem na força ancestral de Ayọ.
Batuques sagrados de axé nos terreiros, de romaria e de congada... Batuques profanos de semba, de lundu, de capoeira... Inebriados da mais pura magia do canto e da dança, seduziram e encontraram outros ritmos vindos de outros cantos do mundo: a polca, o maxixe, o chorinho... O que essa mistura vai dar? Vai dar samba!
Já foi marginalizado e visto com preconceito. Mas, por suas origens negras de garra e luta, a força do samba venceu barreiras, superou os preconceitos e conquistou o Brasil e o mundo.
O samba é a mais pura tradução da força vital de Ayọ... Por sua história, suas conquistas, sua originalidade e por ser um ritmo que traduz o sentimento, o jeito de ser, a essência do povo brasileiro, tornando-se a mais genuína expressão de uma gente alegre e faceira.
O primeiro samba gravado como tal? Chamava-se “Pelo Telefone”. O primeiro desse ritmo que se transformou na “Voz do Morro”. Pelo Telefone o Brasil revela: Eu sou o samba!
Omolú transformou... E na transmutação de cantos, danças e ritmos, dá licença, eu tenho nome... Eu sou o Samba!
Atotô!

Setor 5 – Ogum Eterniza... É Comunhão, É Escola, É Samba!
“Meu samba tem muito axé
Quer ver, vem dizer no pé
Escute o som dos tantãs
Tem samba até de manhã
(...)
Vem ver o meu povo cantar
Vem ver, o meu samba é assim
(...)”
(Xande de Pilares, Arlindo Cruz, Mauro Jr., “Samba de Arerê”)
Pelas forças de Ogum, orixá guerreiro protetor do povo brasileiro, o samba não parou de se renovar, de sempre voltar, cada vez com mais força. Nasceram as primeiras escolas de samba, que passaram a ser a expressão máxima do maior carnaval no Brasil e no mundo.
Escola de samba é algo que defendemos e lutamos pra colocar no mais alto patamar de nobreza que ela merece, para o mundo ver! Nosso samba não é só de avenida... A gente quer samba o ano inteiro!
Ayọ também está no ritmo envolvente dos pagodes, do partido alto, das rodas de samba!... Seja nos terreiros, nos quintais, nas avenidas, essa força infinita garante: O show tem que continuar!
Despertando paixões, embalando multidões, levando alegria, magia, poesia a milhões de corações, o samba é forte, é guerreiro... A identidade do povo brasileiro!
E hoje, o tambor do samba é o nosso coração, que marca o ritmo puro dessa contagiante alegria... Afinal, nossa festa é família, comunhão, é escola!
A nossa força é a energia que vem de Ayọ – A alma ancestral do samba!
Oguniê... Atacuriô!
Axé, Ayọ!!!

“Ayo… A Alma Ancestral do Samba”
Presidente: Solange Cruz – Carnavalesco: Sidnei França -Diretor de Bateria: Mestre Sombra
Autores: Gui Cruz, Luciano Rosa, Portuga, Rafael Falanga, Rodrigo Minuetto e Vitor Gabriel
Intérprete Oficial: Igor Sorriso
Ôôôô… É a força de Ayo                                                                 BIS
No Ylê da Mocidade o samba chegou!
Ecoa o batuque do tambor
Kaô, Kaô meu pai Xangô
Kaô, Kabecilê Xangô
Com seu oxé, o poder do trovão
Liberta a força que emana energia e vibração
O corpo balança, a pele arrepia
A alma revela, o som contagia
Oyá… Seus ventos que sopraram pelo ar… Eparrei Oyá!
Na revoada encontra o novo mundo
E matizado com as cores desse chão
Salve a negra herança viva da nação
O batuque vem da Bahia… Tem axé
Espalhado na magia que vem de Oxumaré
Na Praça Onze, um canto livre no ar                                            REFRÃO
Abre a roda pro samba
Tia Ciata mandou chamar
Em cada canto, profano ou sagrado
É transformado pelas mãos de Omolú
“A Voz do Morro” sou eu mesmo, sim senhor!
“Pelo Telefone” o Brasil revelou: “Eu sou o samba!”
Com a luz e a proteção de Ogum Guerreiro
Sou a nobreza que invade os terreiros
Eternizado em cada coração
E quando cresci fiz escola
Sou raiz, tenho história                                                                    REFRÃO
E o povo aclamou